quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Aprender sem pressões

Escrito por Elsa Páscoa

Tem seis anos e está prestes a iniciar mais uma 
etapa importante: a entrada na escola dos «crescidos», vulgo primeira classe. Pais, avós, tios, primos, amigos multiplicam-se em bons augúrios: «Estás a ficar crescido! Já vais para a escola, que bom! E já sabes muitas letras e números?» Ora, aqui é que as coisas podem começar a complicar-se. É que, para muita gente, é impensável mandar uma criança para o primeiro ano sem lhe dar algum tipo de «vantagem». Isto é, tentar antecipar a aprendizagem que ela vai iniciar. Algarismos, números, fichas e mais fichas enchem as malas de férias, para que o menino ou a menina (em especial se não frequentou o ensino pré-escolar) não «vá em branco». E a meta traçada é bem clara: aprender a ler e a escrever o mais depressa possível, de preferência mesmo antes de terminar o primeiro período.

Nuno Cortes é professor do Primeiro Ciclo do Ensino Básico – a antiga Escola Primária – e sempre que lecciona primeiros anos depara-se «com famílias que me dizem que o menino passou as últimas semanas a preparar-se para a escola, que já sabe todas as letras, muitas palavras e muitos números. E que foram os próprios pais a ensiná-lo». O professor não aponta o dedo a ninguém – «é uma atitude que demonstra que os pais estão empenhados em que a criança entre na escola com o ‘pé direito» – mas vai alertando para possíveis consequências desta «avalanche».
«Fico muito mais descansado quando, ao invés de falarem sobre tudo o que o aluno já sabe, até porque vou conhecer isso mesmo nas primeiras semanas de aulas, os pais procuram saber o que está previsto para o quotidiano escolar do filho e a forma como podem atravessar o processo de adaptação», afirma este docente que trabalha numa escola da margem sul de Lisboa. «Até porque essa adaptação não se extingue na criança: ela é também dos pais, do professor e de toda a comunidade educativa», defende Nuno Cortes.

RITUAL DE PASSAGEM

Mais do que moldar-se às novas circunstâncias, a entrada de uma criança para a «escola verdadeira» é um autêntico ritual. Segundo a terapeuta familiar Catarina Mexia, este momento «acontece a toda a gente» e marca a passagem de «uma situação em que a família nuclear é a detentora do conhecimento e onde o poder dos pais raramente é posto em causa, para uma nova conjuntura em que uma figura, o professor, tem a capacidade de colocar em causa o monopólio parental de autoridade, comportamentos, valores e normas».

A psicóloga não tem dúvidas de que a «rivalidade de competências», acontece, de forma mais ou menos declarada, em todas as famílias e não só na entrada no primeiro ciclo: «É uma dinâmica que se repete noutros momentos como, por exemplo, na adolescência e na altura em que o jovem adulto sai da casa dos pais e se autonomiza definitivamente». O início da escolaridade transforma-se, assim, «num grande desafio que ‘mexe’ com as emoções de toda a família», refere Catarina Mexia.

Um dos reflexos mais comuns deste estado emocional é a tentativa dos pais não ‘perderem o comboio’ da nova vida que se apresenta à frente do filho. Junte-se a isso um clima social em que o sucesso a todo o custo é valorizado desde muito cedo e tem-se a receita para a tentação de substituir a escola e o professor. Os esforços dos docentes são, muitas vezes, vistos como insuficientes para nutrir as ambições familiares e as crianças vêem-se no centro de uma disputa em que família e universo escolar se confrontam.

Em alguns casos, a maior pressão não provém dos pais e centra-se essencialmente na família alargada, com destaque para os avós. No entanto, Catarina Mexia desmistifica a ideia de que são estes a maior fonte de tensão. «Existem, certamente, situações em que os pais têm muitas dificuldades em gerir as expectativas escolares dos seus próprios pais, até porque as relações de dependência que se vão criando em relação à educação e acompanhamento da criança parecem dar aos avós esse tipo de poder», admite a terapeuta familiar, adiantando, porém: «Sei que os avós funcionam, na grande maioria dos casos, como uma força condescendente em relação à atitude dos pais. Na nossa geração, consideramos ter as mesmas capacidades académicas que o professor do nosso filho e é mais difícil resistir à tentação».

O que algumas famílias não compreendem é que, no afã de afastarem as dificuldades das suas crianças, ou preencherem supostas lacunas estão, por vezes, a criar novas dificuldades. Nuno Cortes dá um exemplo: «Não é raro que um aluno do primeiro ano, que chega à escola com um nível de leitura, escrita ou capacidade matemática superior aos dos restantes colegas, se vá desmotivando ao longo das semanas, porque quase nada do que é abordado na aula é novidade para ele. Tal não significa que seja desejável que as crianças não tenham qualquer tipo de preparação – e aí o papel do ensino pré-primário faz todo o sentido. Mas é benéfico que as crianças se sintam bem integradas no corpo vivo que é a sua turma. Elas não gostam de se destacarem».

Os problemas podem surgir é quando esse destaque é um desígnio familiar. «Na idade em que entram para a escola, as crianças ainda não ultrapassaram o patamar de desenvolvimento em que o mundo lhes aparece apenas a preto e branco, onde existem os bons e os maus, os índios e os cowboys», revela Catarina Mexia. «Felizmente, os casos em que as posições escola-família se extremam são raros, mas existem. E, quando isso acontece, não haja dúvidas: a criança vai sempre escolher os pais. E será isso que eles querem para ela?», questiona a supervisora da Sociedade Portuguesa de Terapia Familiar.

COMUNICAÇÃO E EQUILÍBRIO

Felizmente que as situações de guerrilha entre a família e a escola contam-se pelos dedos. Muito mais comuns são as situações em que a primeira rema numa direcção e a segunda numa direcção diferente. «Por muito calmo que um pai ou uma mãe aparente estar no início do ano lectivo, a ansiedade está sempre presente. E, por vezes, temos muitas dificuldades em fazer passar a mensagem de que estamos cá para ajudar em tudo, para dialogarmos com as famílias e também, certamente, para sermos questionados quando for necessário. Os professores também aprendem muito nesta fase», afirma Nuno Cortes.

«Existe um ponto que os pais têm de ter sempre presente: eles são os peritos em tudo o que diz respeito ao seu filho e um professor que mostre interesse em saber como a família está a encarar a entrada na escola e se mostre disposto a ajudar não está a ser intrometido nem é o inimigo. Ele também quer o melhor para a criança e está disposto a conhecê-la em profundidade.» Palavras de Catarina Mexia, que ecoam na experiência relatada por Nuno Cortes. «Cada família apresenta um desafio diferente, mas não vejo as que se lançam em grandes esforços – por vezes mal direccionados – como invasivas. Até porque, na esmagadora maioria dos casos, são receptivas ao que temos a dizer e, durante o ano lectivo, consegue-se chegar a uma situação de equilíbrio benéfica para a criança», adianta o professor, para quem é fundamental que pais e escola mostrem uma «frente unida».

E como é que isso se consegue? «Com comunicação, profunda e permanente. A primeira reunião com os pais é decisiva. Procuro que fiquem bem informados sobre a realidade que o filho vai encontrar: projecto educativo, rotinas, programas, metodologias, corpo docente etc., e que entendam que temos um objectivo comum centrado no bem-estar da criança», revela Nuno Cortes. No outro lado da moeda estão «as perguntas que todos deveremos fazer uns aos outros, para que nada fique por dizer e nenhuma dúvida ou mal-entendido subsistam. A melhor forma da família ajudar uma criança que inicia o primeiro ano é procurar saber exactamente o que vão encontrar na nova escola e estarem preparados para se adaptarem aos desafios que surgem todos os dias», conclui..


MÉTODOS DE INICIAÇÃO À LEITURA E ESCRITA
Pedagogos, cientistas e até filósofos dedicaram-se ao longo do tempo à criação e desenvolvimento de métodos de iniciação à leitura e à escrita. Muitos professores optam por criar um estilo próprio, usando características de vários sistemas. Alguns dos principais métodos são:

Método fonomímico – Utiliza, em simultâneo, os diversos sentidos da criança. Ela ouve e reproduz os fonemas (os sons das letras), aliando-os progressivamente aos grafemas (a forma escrita das letras), através de lengalengas ou cantilenas centradas no abecedário. É usado habitualmente para ultrapassar dificuldades ligadas a comportamentos disléxicos.
Método natural – Parte da produção oral da criança – relatos, histórias inventadas, etc. – e desmonta-a em frases, palavras, sílabas e, finalmente, letras. A base é a espontaneidade e a criação livre infantis, que depois são aplicadas às metas pedagógicas. Tem na origem os trabalhos do pedagogo francês Celestin Freinet e, em Portugal, teve uma expressão significativa no Movimento Escola Moderna.

Método analítico – O aluno aprende primeiro as letras, parte depois para as sílabas que compõem as palavras e, posteriormente, para as palavras no seu todo. Trata-se do clássico: «B» e «O» = «BO»; «L» e «A» = «LA»; resultado = «BOLA». A maior parte dos manuais usados ao longo dos tempos têm por base este tipo de raciocínio. É, ainda, o método mais usado no âmbito da aprendizagem da leitura em contexto escolar e a conhecida cartilha João de Deus – de carácter marcadamente silábico – é, em parte, a aplicação destes princípios.

Fonte: Revista Pais & Filhos

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Programa de apoio gratuito para crianças hiperativas

Programa de apoio gratuito para crianças hiperativas


Em Lisboa, a Unidade de Neurodesenvolvimento do Hospital CUF Descobertas acaba de lançar um programa integrado de apoio a crianças hiperativas ou com dificuldades de atenção, gratuito e inédito no país.
 
O programa encontra-se disponível em português, através do site www.clubephda.pt, e destina-se a pais, professores, educadores e crianças, fornecendo vários tipos de informações sobre a natureza das doenças, diagnósticos, tratamentos, conselhos e a possibilidade de obter respostas da parte de médicos especialistas.
 
Paralelamente, o novo programa oferece ações de formação, com base em casos verídicos, para pais, professores e assistentes operacionais. A primeira acção está marcada para dia 23 de Novembro, no Hospital CUF Descobertas, e as inscrições, gratuitas, podem ser feitas através do e-mail: formacao@clubephda.pt.

PHDA afeta entre 5 a 10% das crianças
 
Em comunicado enviado ao Boas Notícias, Ana Serrão Neto, Coordenadora do Clube PHDA, refere que "a Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção afeta cerca de 5 a 10% das crianças em idade escolar e representa uma série de desafios para os pais, professores e assistentes operacionais".
 
Com este novo projeto, "pretendemos apoiar e promover o desenvolvimento saudável e uma integração bem sucedida dessas crianças na família, na escola e na sociedade, sendo que a nossa missão é disponibilizar informação cientificamente credível, recursos úteis e oportunidades de formação para os vários intervenientes".

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Sugestão para o fim de semana na Salta Folhinhas

Deixamos aqui uma sugestão para sábado, dia 12, na Salta Folhinhas.


Sábado l 12   |16 horas| Solta os Bichos - ler, ouvir e pintar poesia com Lúcia Leão artista plástica e Vicente Sá  escritor e poeta.

Para crianças dos 7 aos 10 anos acompanhadas ou não por um adulto.
A entrada é gratuita.

Inscrições até dia 11 de outubro.
Para mais informações: 
Rua de António Patrício, 50 - Porto 
telef. 226092214 
info@saltafolhinhas.pt 

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Assembleia Geral | APais

O nosso muito obrigado a todos os pais / EEs que estiveram ontem na Assembleia Geral da APais.
É muito importante ter o contributo de todos! Só com o envolvimento de toda a comunidade educativa podemos ambicionar ter uma escola cada vez melhor para os nossos filhos!

Partilhem connosco as vossas preocupações, dúvidas e também as conquistas e alegrias dos vossos filhos!

É por isso e para isso que estamos nesta escola, que é de TODOS!

*a Ata da reunião será brevemente disponibilizada neste blogue.

terça-feira, 8 de outubro de 2013

AVISO | AECs pré escolar

Foi hoje enviado a todos os pais/EE, cujos filhos/educandos estão pré inscritos nas AECs do pré escolar, um email com toda a informação referente a estas atividades.

Agradecemos aos pais que leiam cuidadosamente o documento enviado no email.

Relembramos que amanhã, dia 09/10, pelas 18h00, se realizará no refeitório da escola uma reunião de esclarecimento sobre as AECs, com a presença dos professores responsáveis pelas atividades.
Não falte!

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

AECs pré escolar | Horários

*As atividades Filósofos a Brincar e Despertar Artístico realizam-se quinzenalmente (alternam entre si).

domingo, 29 de setembro de 2013

AVISO | IMPORTANTE

A NOSSA escola precisa da ajuda de TODOS!
E TODOS por uma escola mais segura!
Estimados Pais e Encarregados de Educação,

Como é do conhecimento público, o Ministério da Educação fez vários cortes financeiros para o ano letivo 2013/14. Desta forma, houve um decréscimo significativo de funcionários para o Agrupamento Garcia de Orta, que implicou uma diminuição de funcionários no Centro Escolar S. Miguel de Nevogilde.
Esta situação, aliada ao aumento do número total de alunos, levou a que a nossa escola disponha de um número insuficiente de assistentes operacionais para dar apoio em áreas chave, tais como: portaria, a vigilância dos recreios, a manutenção e limpeza dos edifícios, entre outras.
Se já em anteriores anos letivos havia um défice de assistentes operacionais, este ano a situação agravou-se consideravelmente. 
Sabemos da importância que estas pessoas de referência têm na escola. São elas que recebem diariamente as nossas crianças e que as encaminham nas entradas e saídas da escola; socorrem quem se magoa; alertam para os perigos; ajudam na logística e rotina diária e conhecem-nas pelas suas características e nome. São pessoas de confiança que protegem e zelam pelos nossos filhos e que contribuem muito para que eles se sintam integrados e seguros!
Se estas pessoas não existirem na nossa escola, esta terá as portas fechadas aos pais nas entradas e saídas, a segurança e vigilância que tanto desejamos não será igual e as crianças não terão o mesmo apoio!
Este problema é de TODOS e sentimos que é nosso dever partilhá-lo com TODOS, não só para que tomem consciência da sua dimensão, mas também para alertar para as consequências que daí podem advir.
Pode haver uma solução se todos ajudarem e contribuírem! A resolução está nas vossas mãos!
Os nosso filhos precisam, neste ano letivo, que todos os Pais/Mães/EE’s participem na escola pagando apenas a quota da Apais, ou seja, entregando um valor de 20 euros/anual (por agregado familiar) ao professor/educadora, para auxílio na resolução imediata desta situação. Cada professor/educadora terá na sua posse uma listagem dos alunos e assinalará aqueles que contribuirem.
A Apais após reflexão ponderada e preocupada, chegou à conclusão que, se todas as crianças forem associadas da Apais, teremos os meios necessários para resolver, imediatamente, esta situação.

Pelas nossas crianças e por uma escola melhor agora teremos TODOS de ajudar!

* Este comunicado seguiu nas mochilas dos meninos na passada sexta feira, dia 27/09.